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SCHAUFF, Johannes

RG:
JUS/4

Ficha:
4

Data de Nascimento:
19/12/1902

Data de Falecimento:
19/05/1990

Nacionalidade:
Alema 

Naturalidade:
Stommeln - Koln (Colonia) 

País:
Alemanha

Religião:
Catolico

Profissão:
Politico

Instituição/Associação:
Banco Warburg; Parana Plantations London; Cia de Terras Norte do Parana

Cargo / Função:
Deputado pelo Partido do Centro 

Tempo de exercício:
1930 a 1933

Relação de pessoas:

Lista de nomes das famílias refugiadas em Rolândia (Paraná) localizada no arquivo particular de Schauff: Fendel; Schlieper, Stettiner; Koch-Weser; Fust; Dr. Nau; Schauff-Mager; Dietz; Giesen; Bredemann; vom St. Raphaelsverein; bismark; Schrank; Hasselberger; Hans; Graf Galen; Pöhlmann; Fritzsche; Sekles; Kirchheim; Altaman; Lidenberger; Rohr; Heinemann; Kronsfoth; Wohlmuth; Weber; Schneidler; Bamberger; Richter; Schöpflein; Dr. Güth; Levy; Dr. Stein; Lehmann; Lindenberger; Dr. Traumann; Lippman; Dr. Moskowsky; Tessman; Jung; Speer; Sessler; Dr. Wolff; Flatau; Adler; Kuntz; Pawell; Loeb-Caldenhoff; Plüer; Gottheiner; Dr. Sterm; Dr. Maier; Dr. Löwenfeld; Kahn; Dr. Goldberg; Dr. Wasser.

Bibliografia:

CARNEIRO, Maria Luiza Tucci, STRAUSS, Dieter. Brasil, um refúgio nos trópicos - Brasilien, Fluchtpunkt in den Tropen. São Paulo: Estação Liberdade, 1996.
KOSMINSKY, Ethel Volfzon Kosminsky. Rolândia, A Terra Prometida. judeus REfugiados do Nazismo no Norte do Paraná. São Paulo: FFLCH / Centro de Estudos judaicos da USP, 1985.
Mello, Lucius de. A Travessia da Terra Vermelha - Uma saga dos refugiados judeus no Brasil.

História de vida:

Johannes Schauff foi deputado do Reichstag alemão de 1930 a 1933, quando perdeu todos os seus cargos oficiais. Anteriormente esteve envolvido em uma espécie de colonização interna na Alemanha. Sua experiência na área fez com que fosse nomeado membro da Sociedade para Estudos Econômicos no Além-Mar (Gesellschaft für Wirtschaftliche Studien in Übersee), cujo objetivo era investigar na América Latina locais adequados à colonização alemã. O governo alemão chegou a conclusão de que deveria encaminhar, sistematicamente, grupos de colonos para uma mesma localidade onde, em conjunto, adquirissem terras. Com esse objetivo Schauff viajou para a Argentina e Brasil. Em Londres foi assinado um contrato entre a companhia alemã e a inglesa. Schauff foi incumbido pelos ingleses de executar as transações tendo viajado nove vezes para o Brasil entre 1934 e 1939. Foi intermediário nos negocios com a Ferrostaal, uma das maiores empresas fabricantes de material ferroviário da época.
nJohannes Schauff atuou em Berlim, onde era encarregado de divulgar a oferta de terras no Brasil. Foi por seu intermédio que Ricardo Loeb-Caldenhof (classificado pelos nazistas como ¼ judeu) adquiriu terras (Fazenda Belmonte) localizadas na periferia de Rolândia. Esses trâmites ficaram conhecidos como "negócios triangulares", era possível comprar terras no Paraná através de uma conta vinculada com a Cia Paraná Plantations. Assim, o dinheiro depositado pelos judeus para o pagamento dos lotes não saia da Alemanha. Por este câmbio o comprador recebia um título que lhe garantia um determinado lote de terra. Esta foi uma das raras oportunidades que os judeus tiveram para transferir capital da Alemanha para o Brasil. Aqueles que já possuíam os lotes e um visto de entrada conseguiam salvar-se dos campos de concentração e extermínio.
nJunto ao acervo de Johannes Schauff existe uma lista de nomes que totaliza cerca de 59 famílias (145 pessoas) que teriam se fixado em Rolândia entre 1933-1939. Johannes Schauff teve que fugir para a Itália em 1936 por ter seu nome relacionado em uma lista de pessoas a serem eliminadas pelos nazistas. Schauff era perseguido por duas razões, por questões políticas e por ajudar judeus a fugirem da Alemanha. Refugiou-se no Vaticano para não ser enviado a um campo de concentração. Ali serviu de intermediário numa negociação entre o Papa Pio XII, seu amigo pessoal, e o governo brasileiro que mantinha em vigor circulares secretas contra essa imigração. A iniciativa partiu de dois importantes líderes do catolicismo alemão, Faulhaber, arcebispo de Munique e Berning, bispo de Osnabrück, que apelaram ao Papa em 31 de março de 1939. Essa negociação implicava na liberação de 3.000 vistos destinados apenas aos católicos não-arianos da Alemanha. Devido às dificuldades impostas pelo Brasil apenas 959 vistos foram concedidos por Hildenbando Accioly, embaixador em Roma. Os vistos restantes ficaram "congelados" por Cyro de Freitas Valle e Joaquim A. de Souza Ribeiro, diplomatas brasileiros em Berlim e Hamburgo, que se negaram a concedê-los. Em Rolândia vivem até hoje, várias famílias que ali se refugiaram nos anos 30 e que estiverem envolvidos com esta "empreitada" liderada por Schauff.

Palavras chave:

Alemanha; arcebispo; Argentina; Berlim; bispo; Brasil; catolico; circular; colonizacao; colono; diplomata; embaixador; familia; Inglaterra; judeu; negociacao; negocio; Papa; Parana; refugiado; Rolandia; terra; visto

Entrevista data:
27/09/1989

Entrevista - cidade:
Rolandia, Parana