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Este projeto teve início em abril de 2015, sendo realizado em parceria com o Instituto Samuel Klein e Unibes. Em caráter emergencial, a equipe está registrando em vídeo   as histórias de vida dos  sobreviventes do Holocausto e dos refugiados do nazismo radicados no Brasil. Nos dispomos a arquivar, identificar, digitalizar e disponibilizar  estes testemunhos junto ao site do Arqshoah/LEER-USP e das instituições parceiras, com o objetivo de perpetuar a história e memória do Holocausto em detrimento da ideologia racista, do esquecimento/silêncio e do negacionismo.

 

1. Justificativa

Acredito ser desnecessário justificar a importância do registro dos testemunhos daqueles que sobreviveram ao Holocausto buscando refúgio no Brasil, um dos países receptores dos judeus perseguidos pelo nazistas.  Dentro de dez anos, teremos alguns poucos para narrar sobre o genocídio e o terror perpetrado pelo Terceiro Reich  e países colaboracionista. Temos aqui um legado que carece de registros urgentes: gravar em áudio em vídeo as suas histórias de vida  e reunir o maior número de documentos pessoais em um único arquivo, no caso o Arqshoah- Arquivo Virtual sobre Holocausto e Antissemitismo, sob a minha coordenação.

Hoje, o legado daqueles que já se foram, está nas mãos de seus filhos e netos que, nem sempre, sabem realmente o que seus pais ou avós passaram, pois muitas vezes o silêncio se impôs sobre a necessidade crucial de “narrar”. Muitos,  acuados pelos traumas, mal conseguiram sussurrar suas histórias. Sabemos que a “era das catástrofes” corresponde a “era dos testemunhos” e que geram um acúmulo de dor e morte. Portanto, a história e a memória daqueles que sobreviveram ao Holocausto é, ao mesmo tempo, uma história de luto e reinterpretação da vida. Nem todos querem relembrar: mas devemos insistir no registro desta memória que, com o tempo, se esvai.

Diante deste vácuo, abrem-se caminhos para a proliferação das versões construídas pelos neonazistas e partidários das ideologias da extrema-direita que hoje tomam conta de vários países europeus. Diante desta omissão, favorecemos a ideologia do apagamento: o apagamento da memória. E, assim como os sobreviventes, lutamos contra o tempo. Assim como eles tinham o tempo contado para sobreviver às câmaras de gás, à fome e às doenças, nós também temos o tempo contado para o registro, para a guarda dos documentos e a construção da memória.

Esta é a proposta do Núcleos de Estudos Arqshoah/LEER-USP em parceria o Instituto Samuel Klein e a UNIBES/Claims: de recuperar o maior número possível de registros  históricos que permitam às novas gerações conhecerem suas raízes fortalecendo assim sua identidade, pois quem não conhece sua própria história é um ser fragilizado, carente de passado. É como uma vidraça estilhaçada, um caminhante sem rastros. E nesta “era do negacionismo” é essencial que a comunidade (judaica e não judaica) leve em conta  as forças do testemunho e do legado.

 

2. Objetivos

- registrar em áudio/vídeo, em caráter emergencial,   90 (noventa) histórias de vida dos  sobreviventes do Holocausto, seguindo a lista de contatos disponibilizada pela UNIBES/Claims;

- arquivar, identificar, digitalizar e disponibilizar  estes testemunhos junto ao site do Arqshoah/LEER-USP e das instituições parceiras, com o objetivo de perpetuar a história e memória do Holocausto em detrimento da ideologia do esquecimento/silêncio e negacionismo;

- transformar estes testemunhos em material  pedagógico a ser exibido nos museus, escolas, centros culturais e livros paradidáticos colaborando para “lembrar” o que foi o Holocausto enquanto crime contra a humanidade e a importância dos atos de solidariedade em tempos sombrios;

-  garantir a preservação do acervo Arqshoah, que além de arquivo dedicado à História do Holocausto e do Antissemitismo no Brasil - é também  um núcleo de pesquisa direcionado para a formação de pesquisadores, educadores e ativistas em nível de excelência no campo dos Direitos Humanos junto a Universidade de São Paulo em parceria com instituições parceiras (UNIBES/Claims e Instituto  Samuel Klein);

 

3. Metodologia da Pesquisa

O projeto Vozes do Holocausto segue a mesma metodologia adotada pela equipe Arqshoah/LEER-USP desde 2009,  fundamentada na técnica da História Oral, tendo como referência as propostas teóricas do Prof. Dr. José Carlos Sebe Bom Meihy, fundador do NEO- Núcleo de Estudos de Oralidades. O registro em vídeo de cada testemunho em particular, seguirá as seguintes etapas:

-  contato do representante da UNIBES/Claims com o sobrevivente com o objetivo de verificar se   ele concorda em ser entrevistado pela equipe de História Oral do Arqshoah;

-  agendamento da gravação em vídeo/áudio, pela Profa. Dra. Rachel Mizhari e Prof. Sarita Mucinic Sarue, coordenadoras das equipes de História Oral do Arqshoah, com base na lista de contatos autorizada pela UNIBES/Claims;

-  gravação em vídeo/áudio do testemunho, dando preferência pelo local de residência do sobrevivente com o objetivo de favorecer o diálogo e a vontade de narrar por parte do sobrevivente. Nesta mesma data será realizada a seleção de fotografias e documentos junto ao acervo pessoal do sobrevivente, de forma a obtermos um conjunto de registros que expressem a trajetória de vida do entrevistado desde a sua comunidade de origem à comunidade de recepção, no caso o Brasil  (fotografias, cartas, jornais, anotações, cartões postais, telegramas, passaportes, fichas de imigração, etc).

-  Transcrição da entrevista por um Pesquisador/Bolsista da Equipe Técnica Arqshoah, com o objetivo de obter o “texto matriz” (equivalente ao registro em vídeo);

-  Digitalização dos documentos selecionados junto ao acervo pessoal do sobrevivente pela equipe de Iconografia do Arqshoah.

-  Criação de uma pasta identificada com o nome do sobrevivente junto aos arquivos físico e digital do Arqshoah para a devida preservação da documentação selecionada durante os encontros coordenados pelas Professoras Dra. Maria Luiza Tucci Carneiro e Dra. Rachel Mizrahi;

-  Transcriação do “texto matriz”, procurando ordenar a narrativa do testemunho de forma a valorizar o testemunho gravado, na sua íntegra.

- Entrega do “texto matriz” para avaliação e aprovação do entrevistado que deverá completar à margem, os dados que consideramos importante enfatizar;

- Reformulação do texto transcriado por um pesquisador/monitor do Arqshoah,  sob a supervisão da Profa. Dra. Maria Luiza Tucci Carneiro, Profa. Dra. Rachel Mizrahi e Sarita Mucinic Sarue, finalizando a edição da versão a ser disponibilizada no site do Arqshoah e futura publicação (impressa);

- Disponibilizar o texto finalizado no site do Arqshoah, junto aos links: Arquivo, iconografia e testemunho de sobreviventes;

- Edição de 10 vídeos, dentre os  melhores testemunhos,  para  a gravação em DVDs a serem distribuídos gratuitamente para escolas (ensino fundamental, médio e superior), museus, arquivos e instituições identificadas com o tema do Holocausto;

- Publicação de todas as entrevistas produzidas pelo projeto “Vozes do Holocausto” na coleção coordenada pela Profa. Dra. Maria Luiza Tucci Carneiro, a ser proposta para a editora Maayanot.

 

4. Divulgação dos resultados:

- Publicação dos textos finalizados de 90 (noventa) testemunhos de sobreviventes do Holocausto e/ou refugiados do nazifascismo radicados no Brasil;

- 10 DVDs editados com base nas entrevistas selecionadas pelas coordenadoras do projeto;

- 10 matrizes de livretos paradidáticos (impressos e digital) produzidos pela equipe do Arqshoah, equivalentes as histórias de  vida gravadas nos 10 (dez) DVDs editados com base nas entrevistas gravadas nesta primeira etapa.

- Publicação das 90 entrevistas na coleção Vozes do Holocausto, na sua versão impressa para fins didáticos e de pesquisa, visando a multiplicação e criação de novos conhecimentos sobre a História do Holocausto tendo como base as histórias de vida dos sobreviventes radicados no Brasil.

          

5. Equipe Arqshoah/Projeto Vozes:

Direção: Profa. Dra.  Maria Luiza Tucci Carneiro

 

Grupo de História Oral:

Coordenadoras: Profa. Dra. Rachel Mizrahi e Profa. Sarita Mucinic Sarue

Entrevistas:  Profa. Dra. Rachel Mizrahi, Profa. Sarita Mucinic Sarue, Laís Rigatto Cardilo, Lilian Ferreira de Souza  e Raissa Alonso

Registro audiovisual: Laís Rigatto Cardilo, Lilian Ferreira de Souza  e Raissa Alonso

Transcrição das entrevistas: Lais Rigatto Cardilo, Laura Lemmi Di Natale, Raissa  Alonso, Raissa M. Londero, Samara Konno. 

Colaboradores:  Daniel R. Loeb, Leonardo Vaccaro, Hannah Elizabeth Cordeiro, Esther  e  Paulo Henrique de Brito   

Transcriação: Dora Lerer, Lais Rigatto Cardilo, Rachel Mizrahi,  Sarita Mucinic Sarue, Tucci Carneiro. 

Colaboradores: Silvia Lerner (Rio de Janeiro), Blima Lorber (Curitiba) e Pablo Villarrubia (Madrid).

 

Pesquisa geral: (todos da equipe)

 

Iconografia: Nanci do Nascimento Souza e Samara Konno

Revisão dos textos: Adriana Chuffi, 

Material didático: Carol Colffield

Produção/edição dos vídeos e DVDs: Denis Bevenuto, Leslie Marko e Tucci Carneiro