> Sobreviventes e Testemunhos

NOSSIG, Robert

ARQSHOAH

RG:
SOB/8

Sexo:
Masculino

País de Nascimento:
Áustria

Grupo:
askenazita

Data de nascimento:
29/05/1930

Cônjuge:
Henny Nossig

Filhos:
Henry Nossig e Robert Nossig

Irmãos:
Herbert Nossig, Fritz Nossig e Melita Nossig

Avós Paternos:
Rosa Friedl

Avós Maternos:
Iossef Nossig

Filiação - Pai

ARQSHOAH

Nome do pai:
Alfred Nossig

País de nascimento do pai:
Alemanha

Filiação - Mãe

ARQSHOAH

Nome da mãe:
Bertha Nossig

País de nascimento da mãe:
Alemanha

Religião da mãe:
Judaica

Rotas de fuga

Comunidade de origem:
Viena, Áustria

Opção pelo Brasil:
Mudou-se junto com a esposa em 1953 atendendo às cartas do irmão que os convidava a morar no Brasil

Data de partida:
1939

Locais de parada:
Residiu na Bolívia por cerca de quatorze anos antes de chegar ao Brasil

Comunidades de acolhimento

Identificação:
Robert Nossig

País:
Brasil

Data:
1953

Acompanhantes:
Henny Nossig

Área de fixação:
Urbana

Entrevista

Entrevistado por:
Luba Schevz

Pesquisadores presentes na entrevista:
Luba Schevz e Ana Carolina de Almeida Duarte

Data da entrevista:
11/11/2010

Local da entrevista:
São Paulo

Gravação:
áudio

Transcrito por:
Ana Carolina de Almeida Duarte

Testemunho

Meu nome é Robert Nossig e nasci em Viena, Áustria, no dia 29 de maio de 1930. Meus pais se chamavam Alfred Nossig e Berta Nossig. Morei na cidade de Viena desde o meu nascimento até meus nove anos.

Minha avó materna se chamava Rosa Friedl. Do meu avô não me lembro, não conheci ele. Meu avô paterno era Iossef Nossig, mas também não conheci minha avó paterna.

Tinha 3 irmãos: Herbert, o mais velho, depois vem eu, e depois o Fritz. E a mais nova, que nasceu na Bolívia, Melita, que é 12 anos mais nova do que eu. Hoje ela mora em Israel.

Sobre o tempo que passei em Viena me lembro que cursei um ano na escola e depois já tivemos que sair, em 1939, acho que uma semana antes de estourar a Guerra. Em setembro de 1939 eles invadiram a Polônia, mas a Áustria foi anexada em 1936, então provavelmente meus pais devem ter sofrido algo lá, mas não me lembro. Tinha 9 anos quando saímos de Viena. 

Saímos da Áustria porque meu pai foi ameaçado de ser levado. Então, em cima da hora, por assim dizer, ele conseguiu. Também teve um problema de início, porque meu pai queria ir para a Argentina, tinha um amigo lá, muito abastado, mas nem assim conseguimos, porque os argentinos também não eram muito favoráveis. Então o único país a aceitar foi a Bolívia. Fugimos os pais e os filhos, mas os avós e outros ficaram lá.

Na década de 1930 a oficina do meu tio com o meu pai foi confiscada. E eles perceberam que o negócio não ia melhorar, pelo contrário. Aí meu tio foi para a Bolívia e de lá ele mandou para nós uma carta de chamada. Então nós fomos para a Bolívia.

O navio que pegamos foi o último a sair de Marselha. Se nós não pegássemos aquele navio não teria outro. Quando chegamos em Buenos Aires, que era o destino do navio, porque depois de lá continuaríamos para a Bolívia, nos proibiram de descer do navio. Só no último dia fomos direto do navio para o trem escoltados pela polícia argentina. Isso mostra que a Argentina era antissemita.

Lembro-me que em La Paz estudei em um colégio de padres. Em Viena era uma escola judaica. Tenho medalhas desse colégio na Bolívia, era muito bom aluno. Nesse colégio de padres, isso eu nunca vou esquecer porque lá tinha pouquíssimos judeus, depois eles começaram a exigir a conversão. Mas mesmo assim eles iriam manter a gente na escola. Aí meus pais acharam conveniente tirar, porque como a cidade ali era pequena, um conhecia o outro, eles acharam que se nós continuássemos lá, todo mundo ia achar que nós fomos convertidos. Para evitar esse mal-entendido, eles nos tiraram de lá.

Então, comecei a trabalhar.  Minha mãe faleceu nova, em 1947. Minha irmã tinha apenas 5 anos quando ela faleceu. Meu pai casou de novo, ficou um pouco no Brasil e depois voltou para a Bolívia, porque a esposa sentia falta das filhas dela.

Não guardo imagem nenhuma da Áustria. Nem mágoa, porque já se passou tanto tempo. 

Sobre a passagem pela Shoah, embora não tenha uma imagem guardada de tudo isso, a vida mudou completamente. 

Relacionados

NOSSIG, Henny