> Sobreviventes e Testemunhos

FEIBELSOHN, Werner Neumann

ARQSHOAH

RG:
SOB/65

Sexo:
Masculino

País de Nascimento:
Alemanha

Data de nascimento:
27/03/1922

Data de falecimento:
13/11/2006

Cônjuge:
Eva Neumann

Filiação - Pai

ARQSHOAH

Nome do pai:
Louis Neumann

Filiação - Mãe

ARQSHOAH

Nome da mãe:
Hedwig Neumann Feibelsohn

Rotas de fuga

Comunidade de origem:
Breslau, Alemanha

Opção pelo Brasil:
Família residia no Uruguai. Filhos de Werner imigraram para o Brasil e cerca de dois anos depois Werner e a esposa, Eva, também o fizeram

Data de partida:
1974

Locais de parada:
Werner residiu no Uruguai de 1938 a 1974, ano em que imigrou para o Brasil

Cidade:
São Paulo, SP

País:
Brasil

Data:
1974

Área de fixação:
Urbana

Entrevista

Entrevistado por:
Rachel Mizrahi

Data da entrevista:
1996

Local da entrevista:
São Paulo, SP

Observações:
Áudio indisponível.

Testemunho

Meu pai era um alto funcionário da Congregação Israelita de Breslau, que contava com vinte mil sócios. A cidade tinha belíssimas sinagogas e as melhores escolas judaicas de primeiro e segundo grau do país. Na época certa, ingressei nessa escola e fiquei até o ano de 1933. Hitler e a Gestapo já andavam no poder. Encerraram-se os cursos do segundo grau: judeus não podiam estudar mais. Porém, nossos professores de origem judaica organizaram cursos clandestinos e participei do curso de arquitetura ,onde estudei teoria e desenho técnico à tarde e, pela manhã, bem cedo, fazia os cursos práticos. Por ter sido desde pequeno educado como tradicional judeu religioso e sionista, à noite participávamos de reuniões da organização Habonim. Nossas ideias e ideais sempre foram emigrar para um Kibutz na Palestina, cuja imigração era muito limitada. Nossas esperanças, porém, não tinham limites.

Em 1937, fui eleito pelo meu grupo como preparador de quinze jovens para, clandestinamente, organizar uma das primeiras hachshará em uma chácara no norte da Alemanha, cedida por judeus. Numa ocasião, fomos invadidos pela Hitlerjungen, com armas brancas. Valentemente os enfrentamos, causando-lhes ferimentos, mas também nos ferimos. Nosso acampamento foi destruído para evitar maiores perigos. Em maio de 1938, selecionamos os jovens de tendência esquerdista e cujos pais já tinham sido levados ao campo de concentração Bergen Belsen: eram dez rapazes, que conseguiram emigrar para a Palestina; três desapareceram. Eu oi meu melhor amigo sobrevivemos e continuamos a morar em Breslau, sem receber autorização para emigrar. Meu amigo Herbert Schekatz se refugiou na Suécia e eu emigrei, em 31 de agosto de 1938, para o Uruguai.

A vida de um imigrante em um mundo novo, sem conhecer o idioma local e sem dinheiro era muito difícil. Não existiam, naquele tempo, empregos para a minha profissão e, assim, vivia de trabalhos ocasionais, até me fixar na cidade de Paisandu e, pouco a pouco, dominar o idioma. Comecei uma vida totalmente nova. Em 1947, conheci uma jovem judia recém chegada da Hungria, sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz. Ela conseguiu suportar a desgraça, a fome, a humilhação e os sacrifícios graças à sua fé no Todo Poderoso.

Em 1948, casamo-nos e tivemos dois filhos. Em 1949, tive uma oferta de trabalho como gerente de uma empresa de porte médio.

Participamos ativamente da comunidade israelita do Uruguai, que contava com oitenta famílias judias ou quatrocentas pessoas, no período.

Em 1954, fui eleito presidente da comunidade e como tal tive contato com todas as comunidades do Uruguai. Organizei uma escola israelita, contratando um professor de hebraico da cidade de Entre Rios, Argentina, e também um chazan para as Grandes Festas religiosas. O professor preparava os jovens para o bar-Mitzvá e tudo era perfeito, o que me dava muito orgulho.

Em 1957, recebi a visita oficial do embaixador de Israel, sr.Itzchak Arcabi, sua esposa e o secretário da embaixada, sr. Nelson Pilosof, oferecendo-lhes uma recepção especial, com a presença das mais altas autoridades uruguaias, inclusive a do presidente da Câmara Municipal de Paisandu. Em 1958 fui eleito, por recomendação do rabino Dr. Fritz Winter, de Montevidéo, representante oficial do Congresso Judaico Mundial, com sede em Genebra, para todo o interior do Uruguai. Em 1959, a pedido da Dra. H. Ross, fiz parte do Conselho Israelita do Uruguai para ajudar o Tor Mei Or, que é uma organização de beneficência para os cegos de Israel.

Em 1972, meu filho André emigrou para o Brasil, devido a ditadura militar que se instalou no Uruguai e que acabava com as perspectivas dos jovens. O mesmo ocorreu com minha filha, já casada, que veio para São Paulo. Por tal motivo e a fim de juntar-me novamente aos meus filhos e netos decidimos, eu e minha esposa, também vir para o Brasil, em 1974. Tivemos, novamente, que nos adaptar a esta nova terra, com seu idioma diferente e outras convivências. Mas o importante é que estamos todos juntos.